Tragédia anunciada

O acidente de ontem em Congonhas já era previsto para quem conhece o aeroporto. Como pode o aeroporto de maior movimentação do país ficar “ilhado” por prédios, residências e avenidas? E o que dizer da pista de tamanho reduzido para receber grandes aeronaves? Era somente uma questão de tempo para ocorrer uma tragédia deste porte.

E de quem é a culpa? Não acho que exista um único culpado.

O governo tem a sua parcela de culpa, pois a crise aérea está aí há meses e pouco foi feito para resolvê-la. E acho que ao invés de reformar de Congonhas e do Santos Dumont, deveria investir na construção de aeroportos mais modernos, longe dos grandes centros urbanos. Aqui em Minas, o governo fez de tudo para que Confins se tornasse o principal aeroporto de Belo Horizonte e região. No início, quase todo mundo reclamou, mas hoje a situação é outra. O aeroporto fica longe da região central, mas é seguro e moderno.

Uma outra parte da culpa é também das empresas aéreas, que desejam permanecer operando em Congonhas. Preferem abdicar da segurança em nome do faturamento.  

Mas nós, passageiros, também somos culpados. Não queremos abrir mão de facilidade de aeroportos próximos aos nossos destinos finais.

E não podemos esquecer da imprensa, que esquece a ética em nome de manchetes explosivas e apresenta conclusões precipitadas, anti-éticas e irresponsáveis. Na próxima semana, surgirá outro escândalo no Senado, outra tragédia e ninguém vai falar mais no assunto.

Mas agora é hora do “empurra-empurra” e ninguém assumirá a sua responsabilidade no acidente. Até quando? Talvez até a próxima tragédia.

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