Tropa de Elite, osso duro de roer

Tropa de Elite

Eu assisti Tropa de Elite. Antes que os poucos leitores do blog ou até mesmo o Capitão Nascimento me pressionem, confesso: fiz uma cópia pirata e infringi o artigo 184 do Código Penal. Sei que não vale a desculpa de que vou ao cinema assistir o filme. E sei também que o crime não compensa. Aliás, Tropa de Elite trata também das pequenas transgressões que cometemos, o tal “jeitinho brasileiro”, que nos permite reclamar do Governo e, ao mesmo tempo, avançar o sinal vermelho no trânsito, pagar propina para não ser multado, assistir um DVD pirata, comprar um baseado, etc. Tudo devidamente explicado por Roberto Damatta e Sérgio Buarque de Holanda.

Confesso também que quando um amigo me ofereceu a cópia do filme, não tive vontade de assistir. A minha cota diária de violência, tiros e crimes se esgota apenas com uma rápida leitura das manchetes dos jornais. Mas a repercussão criada em torno do filme me aguçou a curiosidade. 

Tropa de Elite é um filme polêmico e um dos seus grandes méritos é provocar o debate a respeito do tráfico de drogas, da violência, da ação e da corrupção na polícia e do papel do Estado. Algumas pessoas minimizaram a discussão, apenas concordando com o Capitão Nascimento: a culpa é de quem financia o tráfico, ou seja, aqueles que compram drogas. Mas não acho que somente a repressão, seja ao usuário ou traficante, resolverá o problema. A questão é muito mais complexa e passa por investimentos em educação, cultura, lazer e a geração de empregos. É combatendo a desigualdade social que começaremos a resolver o problema.

Outro fato que me deixo assustado é que muitas pessoas estão considerando o Capitão Nascimento como um herói! Mas não posso considerar como herói uma pessoa que tortura e mata, não importa quem seja, para cumprir sua missão. Realmente o Brasil é um país pobre de heróis. E até entendo a frustração do Capitão Nascimento por arriscar a vida ao combater, todo santo dia, o tráfico de drogas. Mas discordo completamente dos métodos utilizados por ele.

No mais, palmas para a brilhante direção de José Padilha e a excelente interpretação do Wagner Moura.

One Response to “Tropa de Elite, osso duro de roer”

  1. Dora disse:

    Eu também assisti o filme, mas tenho uma opinião diferente da sua no meu blog!.. Passa lá! Beijos!

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  1. Mais uma vez, Tropa de Elite « O que se faz - [...] Tropa de Elite Assisti Tropa de Elite novamente. Mas, desta vez, no cinema. E continuo com a mesma opinião:…

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