Roma: o dia em que eu realmente cheguei na Europa

O meu interesse pela Cidade Eterna surgiu quando ainda era criança. O desejo de conhecer Roma aumentava a cada vez que lia um texto sobre o Império Romano nos livros de História, assistia algum filme com cenas de gladiadores no Coliseu ou via imagens do Vaticano. Sempre imaginava como seria caminhar naquela milenar cidade que é, ao mesmo tempo, um vasto museu a céu aberto com seus monumentos antigos e tesouros artísticos, e uma cidade moderna, a capital da Itália. E o dia de realizar este desejo chegou!

Desembarcamos no Aeroporto Fiumicino e nos encaminhamos para a estação do trem que leva à Estação Termini, no centro de Roma. Antes, porém, paramos em um dos pontos de venda do Roma Pass para comprar os nossos passes de descontos. Afinal, a nossa experiência com o Lisboa Card, versão lisboeta do Roma Pass, foi muito boa. Passes comprados, embarcamos no trem Leonardo Express e após 40 minutos chegamos na Termini.

Fomos direto para o Hiberia Hotel, um três estrelas bem avaliado no Trip Advisor e situado na Via XXIV Maggio, próximo ao Palazzo del Quirinale, a residência oficial do presidente da Itália.

O atendimento do staff do hotel foi muito atencioso e cordial. O quarto e o banheiro eram pequenos, mas limpos e bem conservados. O quarto não tinha carpete (ufa!), mas tinha ar condicionado, tv, minibar, cofre e janelas com isolamento acústico. Mas nem tudo eram flores: pagamos 10 Euros para ter acesso à internet wifi durante os 5 dias da nossa estadia. Não é um preço absurdo, mas cobrar por acesso à internet é como cobrar pelo uso da energia elétrica!

Malas desarrumadas e banhos tomados, finalmente saímos para conhecer Roma! Ao chegar na portaria do hotel, tomamos literalmente um banho de água fria: estava chovendo. Mas como toda viagem deve ter um plano B, C e até mesmo D, lembrei de ter lido em algum guia que em vez de se aborrecer com um dia chuvoso em Roma, bastava ir ao Panteão para ver a água cair pelo óculo do domo, respingar no piso de mármore e escorrer por um dreno. Corri até o quarto e peguei o guarda-chuva.

No caminho para o Panteão, passamos em frente ao Palazzo del Quirinale e entramos por algumas ruas estreitas e típicas de Roma. Viramos à esquerda, seguimos reto, esquerda novamente, direita  e, sem querer, chegamos na Fontana de Trevi! Foi neste exato momento que eu realmente senti que estava na Europa! Não no sentido geográfico, pois já estivera em Lisboa, mas como a realização de um desejo de criança. Por razões óbvias, Lisboa sempre esteve mais presente nos meus livros de História, mas era Roma a cidade que habitava o meu imaginário. Ficamos alguns minutos admirando a fonte e, como a chuva não dava trégua, seguimos para o Panteão.

Durante o trajeto a chuva foi diminuindo e quando chegamos ao Panteão, o guarda-chuva já estava na mochila. À princípio ficamos um pouco decepcionados, pois parte da fachada estava em obras. Mas bastou entrar no Panteão para sentir o entusiasmo retornando. A construção original foi concluída em 27 a.C., durante a República Romana. Destruído por um incêndio em 80 d.C., foi reconstruído em 125 d.C. por ordem do Imperador Adriano. Seu belíssimo domo de alvenaria é o mais amplo da Europa, tem 43 metros de altura e largura e em seu centro está o óculo, um orifício de 8 metros de diâmetro, cujo objetivo é fornecer luz natural e apoio estrutural, pois a tensão ao seu redor ajuda a sustentar o peso do domo.

A menor das atrações do Panteão, a água da chuva caindo pelo óculo, havia terminado. Mas todas as outras estavam lá: a imponência da construção e os mármores antigos que adornam o seu interior, as estátuas de deuses, o túmulo do artista renascentista Rafael e altares ricamente decorados.

Atualmente o Panteão é o único edifício construído na época greco-romana que se encontra praticamente em perfeito estado de conservação. Isso porque em 608 d.C. o Imperador Focas ofereceu o edifício ao Papa Bonifácio IV, salvando-o da destruição, vandalismo e saques que várias construções da Roma Antiga sofreram durante vários séculos. Mesmo assim, o Papa Constâncio II roubou suas telhas douradas para utilizar em outra construção e o Papa Urbano VIII derreteu os painéis do teto de bronze do pórtico para fazer um canhão no Castelo de Sant´Angelo.

Ficamos no Panteão até o horário do encerramento das visitas. Ainda cansados da viagem, decidimos comer uma autêntica pizza italiana e retornar ao hotel. Mas eu ainda precisava fazer mais uma coisa: voltar à Fontana de Trevi e registrar algumas fotos. Chegando lá eu descobri que, não importa a hora, se é dia ou noite, se está sob chuva ou sol escaldante, a pequena praça onde está localizada a fonte sempre está lotada de pessoas tirando fotografias ou jogando moedas para realizar seus desejos.

Reza a lenda que a fonte foi descoberta miraculosamente por uma virgem em 19 a.C. e situava-se no encontro de três estradas (tre vie), daí o seu nome. Ali foi construído um aqueduto a mando do General Agripa e que serviu a cidade por mais de 400 anos. Durante uma das várias invasões que a cidade sofreu, todas os aquedutos foram destruídos, incluindo a Trevi. Em 1453, o Papa Nicolau V, determinou que o aqueduto fosse reconstruído. O Papa Urbano VIII encomendou a Bernini, em 1629, um projeto para adornar a fonte. No entanto, o Papa faleceu e o projeto foi abandonado. A fonte, como conhecemos atualmente, foi concluída em 1762 em um projeto iniciado por Nicola Salvi e finalizado por  Giuseppe Pannini.

A melhor maneira de curtir a Fontana de Trevi é comprar um sorvete em uma das várias gelaterias próximas à praça (os sorvetes italianos são deliciosos!), sentar em frente a fonte e admirar cada pequeno detalhe desta bela obra de arte. Foi o que fizemos durante meia-hora, hipnotizados, vendo a água caindo graciosamente. E eu nem precisei jogar uma moeda na fonte, afinal, o meu desejo já estava realizado.

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