Uma cidade de ouro

Existem lugares que nunca canso de visitar. É o caso de Ouro Preto, cidade mineira eleita como um dos 12 Patrimônios Culturais da Humanidade pela Unesco. O fato de possuir o maior conjunto arquitetônico do barroco brasileiro é um bom motivo para retornar com frequência, mas o que realmente me encanta é a união entre a arquitetura e a natureza, o que confere à cidade um charme peculiar.

Ouro Preto

Vista panorâmica de Ouro Preto. Ao fundo, o Pico do Itacolomi.

Caminhar pelas ladeiras históricas, embora seja cansativo em alguns trechos, é a melhor maneira de desvendar cada parte desse patrimônio. Nas íngremes ruas se encontram atrações como antigos casarões, igrejas, capelas e museus. A dificuldade de locomoção pelas estreitas vielas se converte no benéfico exercício da contemplação: entre um local e outro, a cada pausa para recuperar o fôlego, um novo ângulo da cidade surge diante dos olhos.

Ouro Preto

As estreitas ruas de Ouro Preto

Os antigos casarões, imóveis emblemáticos de Ouro Preto, possuem uma arquitetura colonial típica do Ciclo do Ouro, período onde a extração do ouro era a principal atividade econômica do Brasil. Foi a riqueza oriunda do ouro que financiou a maioria das construções apreciadas até hoje. Ver as grandes janelas e varandas dos casarões dão um toque especial à paisagem e proporcionam a sensação de uma visita ao passado.

Ouro Preto

Os casarões de Ouro Preto

Mas o que domina mesmo o panorama são as igrejas. Não importa para qual lado você olhe, há sempre uma ao alcance da visão. A mais conhecida é a de São Francisco de Assis, uma verdadeira obra-prima do barroco brasileiro que abriga obras de dois grandes artistas: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, responsável pela arquitetura, esculturas e ornamentações, e Manuel da Costa Athaíde, o Mestre Athaíde, autor das pinturas e ornamentações. Existem ainda outras importantes igrejas espalhadas pela cidade, como a de São Francisco de Paula, Nossa Senhora da Rosário, Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora das Mercês e Perdões, entre outras. Se na parte externa o estilo barroco é o que desperta mais a atenção, o interior da maioria delas é ricamente decorado em ouro. Só a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, por exemplo, foi decorada com mais de 400 quilos desse precioso metal!

Ouro Preto
Igrejas de Ouro Preto

Subindo a Rua Direita, famosa por suas pousadas, restaurantes e repúblicas de estudantes, chega-se à Praça Tirandentes. Nesse local foi exposta em 1792, época em que cidade ainda chamava-se Vila Rica, a cabeça do Mártir da Independência, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. No edifício mais imponente da praça funciona o Museu da Inconfidência, cujo acervo é composto por objetos da época da Inconfidência Mineira e de Arte Sacra. Na praça ainda estão localizados o Monumento ao Mártir, representado por uma estátua em bronze de Tiradentes, e o Museu de Ciência e Técnica, que possui mais de 20 mil amostras de minérios do mundo todo.

O Museu da Inconfidência e o Monumento ao Mártir

O Museu da Inconfidência e o Monumento ao Mártir

Assim é Ouro Preto, uma cidade encravada nas montanhas, com suas ruas de calçamento de pedra, casarões, museus, monumentos históricos e igrejas. A cada esquina, uma nova descoberta, a cada retorno, um novo encantamento. É por isso que sempre que vou embora, olho para trás e digo: até breve!

Ouro Preto

3 Responses to “Uma cidade de ouro”

  1. Marcie disse:

    Eu ando com tanta vontade de voltar a Ouro Prêto… Há séculos não vou.
    Lindas fotos, estou aqui babando!

    • Alexandre Costa disse:

      Marcie, me considero um privilegiado por morar a menos de 100 Km de Ouro Preto. Dá pra ir sempre que a vontade aparece. E com disse no texto, não me canso de voltar lá sempre!

      Obrigado pelo elogio! Beijo!

  2. Débora disse:

    ,Belo texto, belas imagens!!
    Nasci e moro em BH, mas sou completamente apaixonada por Ouro Preto!! Sempre q vou à esta encantadora cidade, é como se algo me envolvesse, uma leveza, um ar, uma atmosfera. Parece tudo antigo, mas ao mesmo tempo é tudo novo!! Cada detalhe, cada paralelepipedo, cada ponta de uma igreja, cada fachada ou janela de um casarão. Amo, amo, amo!!! Sou exatamente como vc, Alexandre Costa, sempre q vou embora, digo: “Até breve!” Um beijo.

Deixe uma resposta