Île de la Cité: o coração de Paris

Parado às margens do Rio Sena, ao lado da Torre Eiffel, eu conferia o mapa do metrô para descobrir a melhor rota até a Île de la Cité. Foi quando a Grazi olhou para o rio e me disse: Por que não vamos de barco? Só então percebi que a poucos metros de nós havia uma estação do Batobus, um barco para transporte de passageiros que trafega pelo Sena.

Inegavelmente o metrô parisiense é muito eficiente, rápido e te leva a qualquer lugar da cidade. Mas tem um problema: uma vez dentro da estação de embarque, o cenário permanece o mesmo até a estação de destino. É aí que entra a grande vantagem do barco, que embora seja lento e tenha um itinerário restrito, te oferece como recompensa a visão das belas paisagens de Paris!

Batobus

(fonte: Batobus.com)

O Batobus faz um trajeto ao longo do Rio Sena e possui oito estações em locais estratégicos. O bilhete funciona como um passe que vale por um período determinado e que permite o embarque e desembarque em qualquer uma das estações durante a sua validade. Você pode adquirir o bilhete que valem de um a cinco dias ou até mesmo optar por um passe anual. Compramos os bilhetes válidos por um dia, a um custo de 10 Euros cada, e embarcamos!

O mapa das estações do Batobus

O mapa das estações do Batobus

À medida que o barco foi seguindo o itinerário, diferentes paisagens da cidade iam surgindo. É fascinante passar por baixo da Ponte Alexandre III, ver um ângulo desconhecido do belo edifício do Museu d’Orsay ou do Hôtel de Ville, e até a onipresente Torre Eiffel se mostra sob uma nova perspectiva. E ao chegarmos ao nosso destino, nada melhor que desembarcar com a visão das torres da famosa Catedral de Notre-Dame!

Diferentes visões de Paris

Diferentes visões de Paris

O povoamento de Paris começou na Île de la Cité, onde se estabeleceu, por volta de 300 a.C., o primeiro núcleo de habitantes da região. A pequena ilha é considerada  o centro geográfico do país e todas as distâncias na França foram estabelecidas a partir dela.

Se a Citê é o ponto central da geografia francesa, a Catedral de Notre-Dame é o centro espiritual da nação. Erguida no local de uma antiga igreja cristã, que por sua vez ocupava o espaço de um templo romano, a Notre-Dame foi palco de grande acontecimentos, como o julgamento póstumo de Joana
d´Arc, onde ela foi absolvida da acusação de heresia, e a coroação de Napoleão como Imperador da França, em 1804.

A fachada da Notre-Dame e suas famosas torres.

A fachada da Notre-Dame e suas famosas torres.

Se a fachada já impressiona, o interior da catedral é de cair o queixo. As enormes proporções refletem a visão de mundo na idade média, onde o homem era insignificante na presença de Deus: são 130 metros de comprimento, 50 de largura e 35 de altura. Se você ainda não ficou impressionado, saiba que ela possui capacidade para receber até 9.000 pessoas simultaneamente.

Interior da Notre-Dame.

Interior da Notre-Dame.

 Mas se você quiser saber do que eu mais gostei na Notre-Dame, digo sem dúvida que foi da rosácea sul! Ela é formada por vitrais do século 13 onde estão representados Cristo e os doze apóstolos, além de anjos, bispos e cenas bíblicas como a Anunciação e a Fuga do Egito. Observar a iluminação proporcionada pela entrada da luz solar pela rosácea tornou tudo ainda mais belo e especial.

A rosácea sul

A rosácea sul

A minha intenção inicial era subir até as torres para ver as famosas gárgulas, mas o calor intenso e a enorme fila de turistas para fazer o tour me fizeram desistir do programa. Paramos para beber uma providencial água gelada e caminhamos em direção a Saint-Chapelle, outra atração da ilha. A capela, conhecida como “portal para o céu”, foi construída para abrigar as relíquias reunidas por Luís IX durante o período das Cruzadas, e ainda é considerada por muitos franceses como a mais bela de Paris.

Além do teto abobadado e repleto de estrelas, se destacam várias imagens de apóstolos nas paredes laterais e os enormes vitrais que chegam a medir 15 metros de altura. Mas não pude conferir a beleza da capela em sua totalidade, uma vez que uma ampla restauração estava ocorrendo no altar e em boa parte dos vitrais.

O interior da Saint-Chapelle

O interior da Saint-Chapelle

Mas nem só de religião vive o turista na Île de la Citê! Existem outras atrações, como a Conciergerie, uma antiga e temida prisão que recebeu ilustres prisioneiros como Robespierre, Danton e Maria Antonieta, ou o Palais de Justice, um belo edifício que serviu como palácio real e atualmente abriga a sede do poder judiciário francês.

Palais de Justice

Palais de Justice

15 Responses to “Île de la Cité: o coração de Paris”

  1. Marcie disse:

    Muito bom você ter voltado. Pena que o assunto seja tão…tão… qual é mesmo a palavra? :-)

  2. Alexandre Costa disse:

    Voltei sim, Marcie! Agora é tirar o atraso, terminar de postar sobre Paris e iniciar os de NY!

  3. Oi, Alexandre! Tudo bem?

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem. Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia Paulista

    • Alexandre Costa disse:

      Que ótima notícia, Bóia Paulista! É uma honra ter um post meu selecionado para estar na página inicial do Viaje na Viagem. Obrigado!

  4. Vladimir disse:

    Oi, Alexandre!

    Acabei de ver lá e pelo que entendi o valor está em 15euros para 1 dia.
    Pena que acaba relativamente cedo, as 21:30h.

    Obrigado de coração,
    Vladimir.

    • Alexandre Costa disse:

      Olá Vladimir!

      Eu conferi no site da Batobus agora e realmente o passe diário está custando 15 Euros. O valor que inseri no texto foi de quanto pagamos na época da nossa viagem, em Agosto de 2010.

      Um abraço!

  5. Paula disse:

    Concodo com vc a rosácea sul é de deixar o queixo caído!!! Fiz uma pequena viagem a Paris, fico chateada pois e´um país com muitos pontos turísticos que deiam a gente pensando na nossa relação com Deus! Pretendo voltar nas minhas próximas ferias e vou continuar te seguindo, o blog é super alto astral!!!!
    Beijos
    Paula

    • Alexandre Costa disse:

      Oi Paula! Acho que Paris é o tipo de cidade que podemos voltar várias vezes e sempre haverá algo para ver. Também pretendo voltar lá nas próximas férias!

      Um abraço!

  6. Vanessa disse:

    Que saudades!!! Fui a Paris nesse Carnaval e já quero voltar, desta vez, para flanar, sem pressa…apenas admirando essa cidade tão encantadora!

  7. Célia (@regina26) disse:

    Alexandre, muito bacana o post!
    Era um antigo sonho conhecer Paris e a Notre Dame. Depois que li “Notre Dame de Paris” eu não pensava em outra coisa. E me peguei emocionada ao ouvir o órgão tocando durante a visita ao interior da igreja, e ao subir para visitar as gárgulas e ver trechos do livro em placas que foram colocadas lá em cima. Valeu demais conhecer tudo isso. E não vejo a hora de voltar!

    • Alexandre Costa disse:

      Oi Célia! No dia em que fui a Île de la Cité estava um calor infernal! Acabei desistindo de subir para ver as gárgulas devido ao calor e a enorme fila. Mas já está na lista para a próxima viagem!

      Um abraço!

  8. Gladys A disse:

    Nossa seu passeio foi lindo!
    Uma dica excelente para quem visita Paris.
    Compartilhado!

  9. Alexandre da vez que fui a Buenos Aires você me deu otimas dicas inclusive já voltei duas vezes ficando lá por seis meses,fui também a Portugal e agora estou indo a Montevideo mande algumas dicas para me situar

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